Hoje, com memória agradecida, nós louvamos a Trindade Amada, pelos 90 anos que Irmã Benigna compartilhou a vida conosco.
Deixamos aqui, como nossa mensagem de gratidão, as palavras que o saudoso e querido monsenhor Andreas Wiggers (in memoriam) escreveu naquele dia 18/02/2002, e leu-as na Celebração Eucarística de Corpo presente da Irmã Benigna.
“A minha alma engrandece ao Senhor, exulta meu espirito em Deus meu Salvador”! É o hino que rezamos todas as tardes no Oficio Divino. Ele é construído com retalhos de vários livros bíblicos e se toma uma belíssima colcha que Maria usa. Ela manifesta a espera de Jesus, Seu filho, e se coloca como serva do Senhor diante da missão que recebeu do Pai. Ser Mãe, ser serva do Senhor entre nós.
Irmã Benigna, sabemos, rezou muitas vezes este hino que rezamos e cantamos, porque, era, como Maria, assumiu a vida religiosa com dedicação única. Fez do canto de Maria o seu canto. Hoje podemos dizer que ela é nossa santa, pois, a Unção dos Enfermos, eu me dizia no ano passado, restituí-lhe a graça batismal. Ela se preparou para este momento, quando o sacramento foi administrado a todas as irmãs da comunidade Francisclariana onde ela residia.
Hoje estamos relembrando a sua história. Sua biografia. Seus feitos. Sua arte musical. Ela tinha um dom musical. Cultivou esta arte com maestria. Não ficou para si com esta arte musical. Ensinou muita gente a arte do som ao seu piano. Obrigado, Senhor, por sua vida religiosa entre nós!
No início da congregação, quando as irmãs ainda eram chamadas de Ação Católica, ela, junto com a irmã Ida Meneghelli, foi presença junto a fundadora. Aos 25 de setembro de 1957 nascia a Congregação das Irmãs Franciscanas do Apostolado Paroquial.
Eu estava em São Paulo, no terceiro Ano de Filosofia, no Seminário Central da Imaculada Conceição, na mesma Avenida Nazaré onde morou e morreu Santa Paulina. Hoje nossa santa brasileira. Mas, me lembro bem da nova fundação que nascia. Irmã Benigna estava presente com sua arte musical, em tempos difíceis, de lutas dentro duma congregação que surgia do chão da vida do povo agricultor, de cujas famílias surgiram muitas vocações ainda presentes entre nós. Obrigado, Senhor, por esta vida que hoje oferecemos ao Senhor!
Irmã Benigna terminou sua caminhada exodal entre nós. Deixou os rastos de bondade, dedicação, de respeito as pessoas que lhe procuravam. Era delicadíssima quando encontrava a gente. Somos gratos pela sua vida entre nós!
Que seu exemplo, entre nós, seja motivo de mais vocações que possam cantar o Cântico de Maria com a sinceridade de suas vidas. Quanta coisa bonita aconteceu com a presença das Irmãs Franciscanas do Apostolado Paroquial na Diocese de Lages.
E uma presença junto ao povo em diversas frentes pastorais. Além de tudo, a presença de testemunho, de esperança libertadora do povo de Deus. Se a vida religiosa hoje é um desafio, é também, profundamente presente, pelo anúncio de Jesus Cristo na sociedade neoliberal de hoje. Se o mundo é de luta e desafios, existem também presenças do sinal de libertação entre as religiosas que as semente da construção do Reino, no muito do Povo. Deus as recompensará por esta semeadura de bondade, hospitalidade. É a presença franciscana.
Teríamos que lembrar muita coisa. Dizemos, apenas, obrigado Senhor, pela vida da Irmã Benigna que, dentro da congregação quis ser testemunho de vida, A história dela não se repete, pois, é única, mas, como Maria repetimos, minha alma engrandece ao Senhor. Com ela queremos nos alegrar, pois, sabemos, está na Casa do Pai, festejando o Deus face a face. Parabéns, à Congregação que tem uma intercessora junto deste Deus da vida. Amém!”
Lages,18.06.02, padre Andreas Wiggers, Vigário Geral da Diocese de Lages-SC.